Quem percorre a estrada de terra de Edenville a Heuningspruit, no Estado Livre, percebe uma torre de aparência estranha surgindo entre as árvores. O que é — ou o que foi — aquela estrutura?
A resposta é que se trata de um forno de cal, termo técnico para um forno empregado no aquecimento do calcário a fim de transformá-lo em cal que seria utilizada nas minas de ouro, tanto como agente neutralizante quanto como material de construção. A instalação pertencia à New Honingspruit Lime Works.
Como funcionava a produção
Da fábrica restam o forno, a pedreira de calcário, as estruturas de alguns edifícios e partes do maquinário. Foi necessário um verdadeiro trabalho de investigação para descobrir como o processo funcionava. A primeira etapa consistia na extração do calcário, composto essencialmente de carbonato de cálcio (CaCO₃). Pedaços selecionados por tamanho eram colocados em pequenos vagões, transportados até o forno e içados até o topo.
O fogo permanecia aceso continuamente, com introdução e retirada simultâneas de material, exceto nos fins de semana. O forno recebia camadas alternadas de 3.000 libras de calcário e 800 libras de antracito.
A reação química era a seguinte:
CaCO₃ + calor → CaO + CO₂
Portanto, havia liberação de dióxido de carbono. Para que a conversão ocorresse com rapidez suficiente, era necessária uma temperatura de até 1.400 °C. A cal quente era retirada do forno e levada ao galpão de resfriamento, onde permanecia até esfriar antes de receber a quantidade adequada de água. A reação de hidratação formava hidróxido de cálcio:
CaO + H₂O → Ca(OH)₂
A etapa final consistia na moagem em um moinho de bolas. Depois, o produto era ensacado e levado à estação ferroviária de Heuningspruit para despacho.
A energia mecânica vinha inicialmente de uma máquina a vapor, transmitida às diversas máquinas por correias. Mais tarde, a máquina a vapor foi substituída por dois motores a diesel.
Gustav Borcherding e a origem da fábrica
Como essa é minha área profissional, senti que precisava fornecer alguns detalhes técnicos. Agora, porém, é hora de contar um pouco da história do lugar.
O nome mais associado à fábrica de cal é Gustav Borcherding, que se envolveu com o empreendimento por volta de 1904 a 1906. Diz-se que um homem chamado Scott havia iniciado a exploração da pedreira alguns anos antes. Wagner, Kurting, Bennett e Rubenstein são outros nomes ligados à empresa. Por volta de 1908 a 1910, Borcherding acabou assumindo o negócio como único proprietário.
Gustav Borcherding nasceu no noroeste da Alemanha em 1874. Pouco se sabe sobre sua formação. Passou alguns anos viajando pela Europa, inclusive pela Grã-Bretanha. Tentou chegar à África do Sul pela primeira vez em dezembro de 1900, quando desembarcou na Cidade do Cabo, mas a Guerra Anglo-Bôer impediu que seguisse para o interior, obrigando-o a partir.
Em agosto de 1902 ele voltou. Desta vez desembarcou em Durban, depois de explorar a costa oriental da África. Obteve autorização para entrar no Transvaal e na Colônia do Rio Orange e, em fevereiro de 1903, estava em Joanesburgo. Há um cartão-postal enviado dali em 12 de fevereiro de 1903 à senhorita Norah, sua futura esposa, que vivia em Sheffield, Inglaterra. Nele escreveu:
Uma daquelas minas às quais já fiz uma dúzia de visitas. Todas essas chaminés pertencem a uma única mina. Com todo o amor, Gus.
Além de Joanesburgo, suas viagens o levaram a Barberton e Klerksdorp, provavelmente em busca de oportunidades de negócio. Por fim encontrou uma na New Honingspruit Lime Works.
A ampliação do forno e as mudanças na família
No começo havia somente um forno pequeno, operado por bateladas: carregava-se o calcário, acendia-se o fogo, deixava-se a queima prosseguir até completar a reação, esperava-se o resfriamento e retirava-se a cal produzida. Em 1910 ou 1911 foi construído um forno novo e maior — precisamente a estrutura que ainda permanece de pé.
Uma fotografia de 1928 mostra a fábrica e Gustav, Norah e Frida. Vale notar que o forno era mais baixo do que é hoje. O aumento da altura do forno favorecia a tiragem e, assim, melhorava a queima e aumentava a produção. Suspeito que a alteração também tenha permitido introduzir o carvão numa posição mais baixa, próxima à zona de combustão, reduzindo as perdas de compostos voláteis.
Enquanto isso, Gustav casou-se com Norah, que conhecera em Sheffield e com quem mantivera contato. Não sei a data exata do casamento; pelas informações disponíveis, deve ter ocorrido por volta de 1908. Eles não tiveram filhos. Preocupado com a sucessão, Gustav recomendou que Georg Schwiering, filho de sua irmã, estudasse engenharia na Alemanha e depois fosse à África do Sul para ajudá-lo e futuramente assumir o negócio.
Georg chegou em 1928, após casar-se na Alemanha com Frida Cornelius. A viagem de navio até a África do Sul foi a lua de mel do casal. Frida e Georg tiveram um filho, Hans Gustav, nascido em 1931. Ele ainda estava vivo quando o artigo foi escrito, aos 86 anos, e forneceu a maior parte das informações apresentadas aqui. A propósito, frequentou a escola primária de Heuningspruit, cujas fundações ainda podem ser vistas perto da estação ferroviária.
O encerramento da atividade
Gustav morreu em 1951 e Norah dois anos depois. Os corpos foram embalsamados e colocados em um túmulo na fazenda. A inscrição na placa de Gustav diz “Was Liebe gebot hat Treue erfüllt”, que pode ser traduzida como “o que o amor exigiu foi cumprido pela lealdade” — ou, talvez melhor, “pela fidelidade”.
Georg continuou administrando a fábrica até ser obrigado a encerrá-la em 1956, em razão de mudanças na legislação da mineração que afetaram financeiramente a empresa e da queda nas vendas.
A família permaneceu na propriedade, junto de alguns trabalhadores, e passou a viver da agricultura. Georg e Frida estão sepultados ao lado do túmulo de Gustav e Norah.
Sobre o autor do relato original: Horst veio da Alemanha muitos anos antes de escrever este texto. Trabalhou durante toda a vida em grandes empresas químicas e sempre se interessou pela história local. Na aposentadoria, transformou esse interesse em sua principal atividade, defendendo não apenas a exploração e a pesquisa dos lugares, mas também o registro escrito das descobertas.
Informação documental: fotografias e informações escritas fornecidas por Erika van Zyl, neta de Georg Schwiering.