Este é o quarto texto da série de John Lincoln sobre Cullinan, baseada em seu livro Stories from a Diamond Mine. Ele examina uma impressionante realização da engenharia: conseguir um abastecimento confiável de água para a mina Premier.
Nos primeiros anos, não havia preocupação quanto à quantidade de água disponível. Existiam várias nascentes na depressão que mais tarde se transformaria na mina, além de uma fonte abundante num riacho que passava perto da antiga Venter Motors, posteriormente Cullinan Motors. O local abrigara um moinho; mais tarde, a oficina fechou porque a estrada corria o risco de ceder à cava a céu aberto em constante expansão.
Duas caldeiras, que alimentavam quatro bombas a vapor, foram instaladas nas proximidades. A mina recebia água da represa local.
Quando foi adquirida a parte da fazenda pertencente à família Minnaar, também se construiu uma barragem em Danger Bend. Embora relatos da família indiquem que a barragem já existia, parece provável que a mineradora a tenha ampliado para aumentar sua capacidade. Em 1905, o abastecimento se revelou insuficiente e foi necessário procurar fontes alternativas.
Gerrand escolhe a confluência de dois rios
O conselho de administração encarregou o engenheiro D. Gerrand de identificar um manancial adequado. Após sua pesquisa inicial, ele concluiu que a mina poderia obter água suficiente na confluência dos rios Wilge e Bronkhorstspruit.
Foram adquiridas as fazendas Spitskop e Zuikerboschfontein, e uma determinação legal autorizou o projeto. Gerrand recebeu a incumbência de planejar, projetar e executar todas as obras.
A casa de bombas durante a escavação. A fotografia provavelmente foi tirada no início do projeto, em 1906.
O relatório de 16 de janeiro de 1907
Os trechos a seguir são do relatório encaminhado por Gerrand ao presidente e aos diretores da empresa em 16 de janeiro de 1907:
As obras construídas situam-se a cerca de uma milha da estação Wilge River, na ferrovia Pretória–Baía de Delagoa.
Uma barragem de concreto com 900 pés de comprimento na parte superior foi construída cerca de 1.000 jardas abaixo da confluência com o Bronkhorstspruit. Nas comportas de saída, a profundidade da água é de 30 pés.
A barragem forma no rio Wilge um reservatório com capacidade de 150 milhões de galões.
A estação de bombeamento situa-se perto da margem do reservatório, aproximadamente uma milha acima da barragem, onde a água alcança 28 pés de profundidade.
O relatório prossegue com os equipamentos:
Foram instaladas quatro máquinas de tripla expansão que acionam bombas de êmbolo. Cada bomba é capaz de deslocar um milhão de galões de água por dia, sob pressão de 330 libras por polegada quadrada.
As máquinas foram fabricadas pelos engenheiros Glenfield and Kennedy, de Kilmarnock, que se esforçaram ao máximo para fornecer à companhia Premier o melhor que podiam produzir em suas oficinas. Desde a primeira admissão de vapor, as bombas funcionaram de maneira extremamente satisfatória. A bomba nº 1 entrou em operação em 27 de julho do ano passado.
Foram instaladas três caldeiras Lancashire, duas das quais estão em operação. Diz-se que são as maiores do país, construídas com materiais e execução da mais alta qualidade.
As bombas permanecem, mesmo após a eletrificação
Ao final, foram construídas quatro bombas a vapor e cinco caldeiras. Todas as caldeiras, a bomba nº 1 e os prédios que as abrigavam ainda existiam quando o texto original foi escrito.
Em 1905, cada máquina de bombeamento de tripla expansão custava 2.165 libras esterlinas, enquanto uma caldeira custava 532 libras. Os equipamentos continuaram bombeando água para a mina até 1962, quando foram substituídos por bombas elétricas.
A ferrovia de carvão e os 36 quilômetros de tubulação
Gerrand também descreveu as obras de transporte e distribuição:
Foi construído um ramal ferroviário da estação Wilge River, na linha Pretória–Baía de Delagoa, até a estação de bombeamento, numa distância de 1.500 jardas. Os vagões descem até os depósitos de carvão pela ação da gravidade e, depois de vazios, são puxados de volta à estação por bois.
A tubulação, que representa a maior parcela do empreendimento, tem 22¾ milhas de comprimento, da estação de bombeamento até o reservatório de serviço da mina. A Stewarts & Lloyds executou satisfatoriamente o contrato de fornecimento dos tubos. Acredito que a rapidez na fabricação dos tubos de aço estabeleceu um recorde na Inglaterra.
Pelos detalhes apresentados sobre o empreendimento, agora próximo da conclusão, é evidente que a companhia não poderia ter escolhido fonte melhor do que o rio Wilge. Para as necessidades da mina Premier, sua água é praticamente inesgotável; além disso, a proximidade da linha ferroviária principal permite obter carvão para as máquinas a um custo muito baixo.
Atualmente, dois milhões de galões de água são bombeados por dia para a mina, a um custo de aproximadamente 1½ pêni por mil galões.
Para comparar com empreendimentos semelhantes, quando o volume atingir três milhões de galões diários, o custo — incluídos juros de 7% sobre o investimento nas obras — será de 4½ pênis por mil galões. Com quatro milhões de galões diários, será de quatro pênis por mil galões.
Na minha opinião, essas baixas tarifas para bombear água a uma distância de 22¾ milhas e sob uma pressão correspondente a 750 pés de coluna d'água dificilmente serão superadas na África do Sul ou em qualquer outro país.
Duas mulheres em um barco junto ao aqueduto. O aqueduto continua em uso (Arquivo da mina Cullinan).